A Tradição Primordial também é dita "perene" porque sabe se transformar e adaptar, seguindo as próprias diretrizes da vida, sobre balizas universais que asseguram o equilíbrio do Todo, hoje em dia também chamado de “Holístico”. Costuma-se definir este eixo através de Trindades divinas.
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quinta-feira, 9 de julho de 2015

O CAOS CIVILIZATÓRIO NO ESTADO LAICO E A SINARQUIA PERENE


Quando Marx apresenta a sua “clássica” apologia à burguesia, dizendo no seu “Manifesto Comunista” que nas mãos da burguesia “tudo que é sólido se esfuma no ar”, para exaltar seu poder de destruir as antigas estruturas socioculturais cristalizadas ao final da Idade Média através das revoluções políticas, econômica e culturais que a burguesia promoveu no mundo, parece não estar ciente das consequências que pode ter esta situação a médio e a longo prazo para o planeta e para a própria humanidade.
Não por acaso, os grandes calendários mundiais (como o do Manvantara) atribuem às Idades do Mundo regidas pelas visões-de-mundo liberais e materialistas, um período cada vez mais reduzido. Paradoxalmente, “o reino da quantidade” humanista é o mais fugaz. Mas, naturalmente, “o reino da qualidade” teogonista é o mais estável e permanente, é ele que cria, afinal, as grandes estruturas culturais e civilizatórias, representando ademais a Súmula sinárquica da Ordem social integral.

As Dialéticas Sociais: caos e ordem


Assim, a estruturas culturais humanas possuem uma íntima relação com o tempo, em sua associação com o nível de consciência das classes dominantes.
Atualmente pode parecer que a “burguesia internacional” dá as cartas, porém isto é apenas aparência. Se a classe rica detém o controle e dá a direção das coisas, é apenas porque ela possui maior capacidade para isto, e porque a cultura-de-massa do proletariado (sempre mais passivo e acomodado) não pode subsistir sem ela para conferir conteúdo e dinamismo às coisas, como Marx tacitamente reconhece através da frase citada no início. Não obstante, o domínio mais profundo é da própria cultura-de-massa, que requalifica e amplia as regras da burguesia, impondo inclusive a democracia moderna (representativa) e, eventualmente, as suas próprias ditaduras. A democracia representativa significa mais, é verdade, uma demagogia burguesa destinada a prevenir as ditaduras proletárias e até as repúblicas nacionalistas (que podem ser proto-aristocracias).


Ocorre que as classes sociais se organizem em binômios, a título de corpo-e-alma. Na esfera “humanista” temos a dialética liberal-materialista entre burguesia e proletariado, onde a burguesia possui o dinamismo e o primado cultural, sendo daí a sua “alma”. O proletariado confere, por sua vez, a cultura-de-massa que faz a festa da burguesia, dando-lhe mão-de-obra e expansão do consumo.
Já na esfera teogonista, existe a dialética espiritual-idealista entre o clero e a aristocracia. As verdadeiras Monarquias se definem por uma relação estreita com a religião, a qual permaneceria por sua vez quase encerrada nos claustros não fosse a organização política e social da aristocracia. A monarquia não é apenas a lei do mais forte e ágil para comandar a tribo nas suas necessidades e na expansão das suas capacidades. É sobretudo aquele que conduz toda a nação em consonância com as leis sagradas, elevando-a a um novo padrão de dignidade e justiça, além de expandir esta nobreza pelas redondezas pela força, cultura ou diplomacia, na medida das possibilidades ou das necessidades, afinal não é possível ter um estado de paz cercado de balbúrdia e de instabilidade.
Assim, a Monarquia trata de dar um corpo social ordenado para as propostas espirituais custodiadas pelo clero. E nisto existe toda uma harmonia universal, onde as quatro classes sociais tradicionais, representando todos os estados-de-consciência humanos, alcançam representar o Homem Coletivo, que é o corpo social do Cristo (ou a Igreja como associação comum) ou, na versão oriental, do Manu.


A Grande Dialética dos Tempos


Assim, comparativamente, a sociedade laica liberal-materialista é como muito como uma entidade acéfala e insensível, na medida em que proscreve na prática aquelas classes sociais tradicionalmente responsáveis pelo cérebro coletivo e pelo coração social, tentando daí viver das migalhas de virtudes roubadas aos tempos, amplamente amparada sobre calúnias, mentiras e oportunismos, e em nome de uma forma-de-vida cada vez mais corrompida, imoral e insustentável.
Não obstante, e como o leitor já terá concluído, por detrás destas dualidades sociais, existe uma Dialética Maior e mais verdadeira, abarcando o conjunto das quatro classes sociais em seus pares dualistas cíclicos. Pois embora os humanistas custem a reconhecer, mesmo a dualidade humanista depende da dualidade teogonista das origens para deter uma identidade e sua mera existência posterior, pese subsistir quase meramente de refugos & restolhos daquilo que um dia foi uma grande cultura e uma pujante civilização.


Neste sentido, a burguesia possui analogias fundadoras com o clero, ao passo que o proletariado possui analogias passivas com a aristocracia; e onde as classes mais passivas aspiram e almejam sempre alcançar a consciência das forças sociais fundacionais.
Assim sendo, a burguesia adapta a religião (para substituir o clero) conferindo-a “humanismo” -vide Luteranismo, dando asas para a Teologia da Prosperidade, de inspiração paulina, ao passo que na política busca ser liberal, substituindo todavia o discurso devoto pela sedução consumista. Este é o paralelo entre as classes psíquicas, senda também fundacionais, posto que o psiquismo dá o sentido mais profundo das coisas no plano da Humanidade.



Tal como o proletariado também adapta a aristocracia, como ao substituir as Monarquias por Ditaduras, quiçá vitalícias como são muitas coroas. Espiritualmente, se verifica também um discurso idealista e social análogo, de fraternidade e de defender os interesses do próximo. Este é o paralelo das classes mentais “subalternas”, sendo que o moderno primado da Ciência concreta representa também um caldo-de-cultura tipicamente proletário.
Neste aspecto, a verdadeira aristocracia não é passiva no plano da matéria, de fato ela é ativa aqui porque dá corpo e forma à cultura espiritual, como vimos, mas ela é sim passiva em relação às conquistas espirituais do clero, as quais almeja e admira, e por isto a protege e nela se ampara em busca de devota orientação, e por se tratar aquela da classe mais próxima do Cristo, trazendo assim o verdadeiro Alento das Origens.



Conclusões: nos rumos da Sinarquia

Podemos então ampliar e adaptar o “lema” da Revolução Francesa, nestes termos “sinárquicos”, acrescentando a importante “Veracidade” atual na esfera espiritual/religiosa:


        a. Veracidade: o clero = teocracias
        b. Fraternidade: a aristocracia = monarquias
        c. Liberdade: a burguesia = repúblicas
        d. Igualdade: o proletariado = democracias


Neste sentido, é possível sim harmonizar tudo isto num Regime Único, que é a própria Sinarquia quádruple, partindo da compreensão profunda da Unidade Social. Basta para isto, adaptar os quatro regimes sociais às esferas de poder, nestes termos:

        a. Nação (União): teocracia
        b. Regiões (Biomas): monarquia
        c. Estados (Províncias): repúblicas
        d. Municípios (Cidades): democracias



A democracia cidadã e citadina, representa, pois, a base política de tudo, mas também, inversamente, é o objeto final do Governo iluminado (quiçá algo aos moldes taoístas, como é comum), num sistema edificado sobretudo pela educação.
O quadro dado –especialmente apto e destinado às unidades continentais- trata, pois, da competência da consciência das classes sociais, sem as inversões demagógicas que se pretende impor mediante regimes sociais incabíveis, penalizando as nações com anti-ordens políticas ou caos sociais. Como acontece ao se propor, impor uma democracia num país-continente como é o Brasil, onde não existe forma possível de controlar os dirigentes que supostamente nos representam. A solução então, é dispor gente realmente qualificada nestes cargos mais inacessíveis ao vulgo, mais ou menos como prescrevia Platão. Uma vez que as cidades se tornem realmente democráticas, a segurança social estará assegurada.


E assim, o povo elege nas Cidades representantes proletários; os quais elegem por sua vez nos Estados representantes burgueses; os quais elegem então nas Regiões representantes aristocratas; os quais elegem por fim na Nação representantes religiosos.
E neste caso, estaremos trabalhando já com a Sinarquia quádruple (aquela do passado era trina), uma vez que a humanidade que surge nesta Nova Era se destina a despertar o quarto centro de consciência, que é o coração, de modo que o clero passa a adquirir um efetivo dom-de-mundo...
A grande novidade da Nova Era está, pois, no amadurecimento das instituições espirituais, como a própria religião (coroada pela iluminação/salvação terreal) e as almas-gêmeas, que é o matrimônio perfeito e puro entre almas maduras e devotadas a Deus, à Verdade e ao Bem Comum.



Isto também fará com que a etapa sannyasin dos ashramas védicos deixe de focalizar o abandono do mundo, por dar maior função histórica aos religiosos sociais (Brâhmanes) e maior dignidade ao próprio matrimônio; ainda que o antigo renunciante sempre pode seguir sendo útil ao mundo como santo e conselheiro nas aldeias.
Outra possibilidade seria, talvez, que a renúncia do esposo possa ser acompanhada pela mulher, e que o fogo na qual esta termine então os seus dias seja não o da pira crematória do marido, mas o da iluminação conjunta e final de ambos que o anterior apenas simbolizava.



Leia também:

A estrutura social clássica ou o Primado da Cultura


Luís A. W. Salvi é autor polígrafo com cerca de 150 obras, e na última década vem se dedicando especialmente à organização da "Sociologia do Novo Mundo" voltada para a construção sócio-cultural das Américas.
Editorial Agartha: www.agartha.com.br
Contatos: webersalvi@yahoo.com.br 
Fones (51) 9861-5178 e (62) 9776-8957

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