A Tradição Primordial também é dita "perene" porque sabe se transformar e adaptar, seguindo as próprias diretrizes da vida, sobre balizas universais que asseguram o equilíbrio do Todo, hoje em dia também chamado de “Holístico”. Costuma-se definir este eixo através de Trindades divinas.
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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

AS RAÍZES UNIVERSAIS DAS ESTRUTURAS SOCIAIS: ORIGENS E PORVIR

As estruturas sociais ou “classes” são realidades que conhecem as suas origens na própria formação longínqua da humanidade, em situações que tem sido idealizadas, e também na organização da consciência humana.

As grandes estruturas culturais humanas

Os mitos tradicionais falam de uma Idade de Ouro, na qual as coisas surgem perfeitas e harmônicas, entre Deus, o homem e a Natureza.  O tema é tão amplo, que existem diversas formas de focalizar esta imagem da perfeição.

Uns procuram na própria História humana, através da civilização e da cultura, da sociologia e até da mitologia, identificando estágios originais onde havia grande integridade humana e harmonia entre os interesses sociais, incluindo um razoável nível de sustentabilidade ambiental, como foram as pacíficas Caral peruana e a Teotihuakan mexicana.

Outros porém, através de uma abordagem mais antropológica, enxergam na civilização o começo de uma crise nas relações sócio-ambientais, entrevendo antes como ideais as sociedades tribais e aldeãs que remontam ao neolítico, e das quais ainda temos alguns precários representantes disseminados em nossos dias nas grandes florestas e savanas do mundo.

Finalmente, alguns poucos veem mesmo na vida aldeã o começo da crise humana com a Natureza ou o meio-ambiente e, empregando as ferramentas da paleontologia, apontam o verdadeiro plano-de-harmonias planetárias naquelas primitivas sociedades do paleolítico, como são os atuais remanescentes bosquímanos da África, incluindo o eventual convívio com outras espécies humanoides, também detentoras de certo grau de cultura superior.

Estas três visões seriam as abordagens mais sérias e científicas que podemos entrever acerca do idílio da condição humana. Haveria ainda uma quarta condição, de teor mais espiritual e que transparece nos mitos e sobretudo nas profecias, e adiante trataremos melhor deste assunto.

Tais estágios estruturais também são formas de situar o ser humano na sua “montanha” cultural, relacionando-se às estruturas sociais humanas que prevalecem através dos tempos, e devem ser contempladas numa visão abrangente da vida e do homem, como foi sugerido nos estudos construtivistas de paralelos entre as visões-de-mundo das sociedades tribais e a formação da consciência humana.

Da origem remota das estruturas sociais

Se analisarmos com profundidade, veremos que todos os estágios culturais possuem citações ou referências aos estágios restantes da evolução humana. A consciência humana se organiza em fractais multirecorrentes, e os sucessivos estágios da humanidade são desdobramentos do amadurecimento e do empoderamento de cada estágio cultural ou de consciência humana. As origens ou as sementes das classes sociais podem ser buscadas na formação ou na evolução humana, embora elas também estivessem já efetivamente representadas de forma menos expressiva então.

Assim, o proletariado possui uma direta analogia com a humanidade do paleolítico, quando a grande meta cultural era a sobrevivência material e a proliferação da espécie, havendo ali um despertar para os rudimentos da espiritualidade pela racionalização da existência mediante relações ambientais harmônicas e aquisição de regras-de-saúde mais avançadas, numa fase da humanidade que a Tradição Esotérica também denomina como “Lemuriana”.

A burguesia, por sua vez, se relaciona objetivamente aos homens do neolítico, voltados para a produção agrícola e pecuário e o comércio dos seus produtos, aprimorando a defesa e os assentamentos humanos, assim como das estruturas para os cultos e o enriquecimento da sua religiosidade, etapa a qual a Sabedoria das Idades denomina por sua vez como “Atlante”.

Logo, a aristocracia se associa de maneira direta com o recente período dos “metais”, quando a cultura da guerra alcançou o seu máximo aprimoramento, juntamente com o desenvolvimento da capacidade mental humana propiciando a iniciação solar e o advento da economia industrializada. Esta etapa é conhecida nos meios esotéricos como a “civilização Árya”.

E neste mesmo compasso, estamos atualmente na preparação de um novo estágio, para gerar a grande cultura do sacerdócio e da espiritualidade, a etapa seguinte que coroará a presente evolução humana maior através da conquista da iluminação coletiva, a ser irradiada pelas Sociedades das Américas de onde emerge a quarta e última estrutura evolutiva humana: a da consciência individual ou da espiritualidade, e cuja economia será baseada na informação e na tecnologia dos cristais.

E após isto, viveremos já uma grande revolução cósmica, onde as equações da humanidade com as dimensões espaço-temporais serão totalmente diferentes, naquilo que tem sido anunciado como a “Ascensão da Terra”.

O esplendor da pirâmide-da-vida

Assim, nada que chega a florescer deixa de ter a sua semente nas raízes da condição humana. Com isto, podemos apontar o seguinte quadro de analogias:

1. Paleontologia               Proletariado      Paleolítico           Lemúria
2. Antropologia                Burguesia           Neolítico             Atlântida
3. Sociologia                      Aristocracia        I. dos Metais     Aryavartha
4. Ontologia                       Sacerdócio         I. do Cristais       Américas

Uma das culturas que assimilou de uma forma sábia estas estruturas foi o Brahmanismo, através da instituição dos ashramas ou etapas-de-vida (estudante, profissional, instrutor e renunciante) numa pedagogia integral/vitalícia, e fazendo derivar delas as classes sociais, ainda que com o passar dos tempos tal subordinação acabasse por se inverter criando as castas hereditárias, levando a perder a essência deste importante sistema de idealização das etapas sociais e de valorização da evolução integral do ser humano.

Esta decadência cíclica traz o impulso para reformas culturais -como fez o Budismo ao reformar o Hinduísmo internamente- e até para revoluções sociais. Contudo, pouco sentido teria pretender alcançar uma tabula rasa definitiva na cultura humana e suas estruturas sociais, antes delas estarem perfeitamente incorporadas no espírito humano; não obstante, a desconstrução da montanha do tempo ser uma coisa natural e até humanamente necessária: através disto tem-se a progressiva administração de um dado curso histórico por todos os estágios sociais humanos de consciência, e se trata assim de concluir os ciclos.

Para dar continuidade a tudo, a certa altura uma reconstrução terá início alhures e sobre novas bases (como ocorre agora nas Américas), a fim de não restar um vazio perigoso no mundo no qual as velhas energias poderiam crescer em demasia. Esta desconstrução é como uma morte, uma “volta às cinzas”, de modo que o novo já terá um outro perfil, uma perspectiva diferente das coisas sob uma outra situação espaço-temporal.

A beleza da vida está na visão transversal ou de profundidade das coisas. A montanha é bela porque é como um cone no qual se traça as elipses, simbolizando toda esta transversalidade da vida. Lembrando a famosa “pirâmide social”, que antes de tudo também é cultural. A pirâmide é uma condição natural da sociedade humana, porém a sua organização sempre pode ser problematizada pelo ser humano.

A pirâmide possui uma estrutura própria, simbólica. No alto está o imponderável, o abstrato; e na base está o ponderável, o concreto. Nas faces da pirâmide, acham-se os estágios de transição.
Neste caso, as estruturas sociais necessitam respeitar a natureza construtiva da pirâmide. Quanto mais alto na pirâmide, mais refinada é a consciência da pessoa e menor será o número dos seus expoentes característicos. Na base estará o oposto, o grau de consciência mais denso e um amplo contingente humano representativo.

E nisto, não há risco para a humanidade, apenas soluções. No alto, não há peso, apenas luz; não se sobrecarrega a pirâmide social e ainda inspira a humanidade a evoluir. Os bons sacerdotes são compassivos e desapegados, iluminado o mundo com seu exemplo e sabedoria.

O ápice transcendental da pirâmide

Porém, esta luz tampouco vem deles mesmos, embora devam possuir vocação e aspiração. Eles também se inspiram naquilo que realmente é maior e perfeito, localizado no ápice da pirâmide que são os mestres de sabedoria e os avatares, aqueles que possuem a verdadeira visão-do-todo.
A economia espiritual do planeta, contempla felizmente a manutenção de alguns destes seres iluminados de forma permanente sobre a face da Terra. E quando esta realidade é seriamente percebida pela humanidade, podemos dizer que a recriação e a estabilização do mundo poderão ser alcançadas.
Quando os homens se entregam à sua própria sorte, ele conhece todo tipo de subversão dentro desta pirâmide, que então se torna pesada e opressiva. Cabe a ele mesmo colocar a lâmpada devida no seu ápice para que o todo também seja iluminado.

Não basta, neste sentido, admitir a existência de Deus e dos avatares ou encarnações divinas. É preciso também identificar a presença regular dos mestres na Terra, a fim de obter referenciais realmente universais de harmonias. Ou seja, a manutenção do chamado polo ou eixo espiritual do mundo, através dos quais os próprios avatares eventualmente se manifestam visando reconfigurar as energias e os conhecimentos da humanidade, porque são eles, os adeptos, quem melhor representam no mundo a consciência crística, tornando-se intérpretes “oficiais” das revelações e trazendo dinamismo e atualidade aos grandes ensinamentos revelados.


Por Luís A. W. Salvi, filósofo perenialista e escritor
NE

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